Indústria automobilística:

 

 

Graças a Deus a industria nacional voltou a ter os pés no chão. O primeiro semestre de 2006 foi ótimo em todos os sentidos para ela. Tanto pelos lançamentos quanto pelo recorde histórico na venda e emplacamento de modelos zero quilômetro, e recorde esse não recente, mas sim, desde o lançamento de uma indústria automotiva sólida no país, ou seja, idos da década de 50.

Comprar carro está fácil, ainda mais sendo este zero. As montadoras e os concessionários estão dando os subsídios para tal, e por isso as vendas alcançam níveis espetaculares para um país em que o roubo e a cara de pau de um presidente biritão e cego chegam a nos dar saudades da época militar e da época que o “inocente” Fernandinho Collor de Melo (que, diga-se de passagem, por muito menos do que o governo Lula faz hoje, sofreu com o movimento mais ridículo da história do país, chamado “cara pintada”) e sua turma era “café pequeno” se comparado ao atual governo e a roubalheira escancarada que é o cenário político instalado hoje no país, graças ao PT, que um dia se disse “partido dos trabalhadores”. Bom, sem mais desvios para falar de coisas óbvias e que só não enxerga o nosso presidente por que é conveniente não ver nada do que seus amiguinhos fazem no país hoje, voltamos ao tema principal. Só para se ter uma idéia de valores, se compra carro de qualquer categoria hoje sem entrada e ainda por cima financiado em até 60 meses. Claro que o panorama econômico ajuda, embora o povo ainda tenha dificuldades de comprar e manter um carro, seja pelo seguro, a cada dia mais caro ou pela manutenção, que hoje não é mais feita pelo seu João ali da esquina e seu incrível jogo de ferramentas do Paraguai, mas sim por mecânicos treinados em equipamentos avançadíssimos e suas oficinas que mais parecem clínicas de tamanha limpeza e organização.

Disse no primeiro parágrafo “graças a Deus a indústria voltou a ter pés no chão” no sentido de termos novamente entre nós, uma categoria que ficou na gaveta das montadoras por anos, com lançamentos que eram só para preencher nichos de mercado, mas nada expressivo como o período que vivemos agora. Falo dos novos sedãs que estão no mercado hoje. Como dito antes, a situação econômica favorece  o mercado deste modelo de carro, seja ele importado quanto nacional. O custo benefício destes carros, o que se paga pelo que eles oferecem está muito atraente e faz com que eles vendam como água no nosso mercado. E ao entramos em uma autorizada para ver um carro, não temos mais aquele cenário macabro do fabricante idolatrando carro 1.0 como se fosse algo maravilhoso. Sou o maior fã dos 1.0 nacionais, mas achava o cúmulo da imbecilidade as montadoras tratando modelos pé de boi de um celta, gol, palio ou ka como se fossem os melhores carros da marca, e que por isso, merecem o maior destaque dentro de uma concessionária. O panorama mudou, basta passar na frente das autorizadas (aqui em Porto Alegre pelo menos) e ver os destaques no show room. Os 1.0 estão lá, cada vez melhores e mais potentes, mas no seu devido lugar, e os destaques ficam para aquele que sempre teve um lugar cativo no coração do brasileiro, e que agora, está recebendo a devida atenção das montadoras.

 

O mercado está muito bem servido com os últimos lançamentos dos fabricantes, e com uma política favorável às importações devido à baixa do dólar, trazer modelos fabricados em outros países para cá se tornou algo muito atraente para as fábricas. Mas que carros são estes? Bom, os destaques desse texto ficam para os novatos Ford Fusion e Honda Civic, Mégane, Vectra e com o “veterano” Corolla. Vamos a uma análise breve de cada modelo e seu histórico.

Vamos começar com quem recém chegou. O Fusion, importado do México pela Ford, teve sua estréia no mercado nacional em junho e já desponta como o mais vendido da categoria, com 723 unidades emplacadas somente no seu primeiro mês de comercialização. As razões para tal feito são claras. Estilo arrojado e elegante, pelo seu porte e acabamento e acima de todos estes fatores, seu preço, que parte de R$ 79.990,00 até R$ 84.890,00. Passa a impressão de um veículo mais caro, pelo seu porte imponente e as vistosas rodas de 17 polegadas Ao meu ver, um carro que chama muita atenção por onde passa e que tem um preço relativamente barato pelo que é oferecido. Prova disso é a quantidade de Fusion circulando pelas ruas de Porto Alegre e a 1ª colocação em vendas no segmento. O propulsor que movimenta os 1.523 kg do importado da Ford é o Duratec 2.3, com cabeçote e bloco de alumínio com 162 cv que garante leveza ao conjunto e um consumo moderado de combustível. Também aliado a um tanque de 66 litros, que segundo o fabricante, garante uma autonomia na casa dos 800 km. O único opcional oferecido é o teto solar, de resto, tudo é de série, como bancos em couro, câmbio automático, controle do ar condicionado (digital) no volante, seis air bags, sensor de faróis e toca cd com capacidade para 6 discos com leitor de MP3. As únicas ressalvas ficam por conta das lanternas traseiras, muito “estilosas” e que não combinam muito com a aparência sóbria do carro e a falta da opção de trocas manuais na transmissão automática. Dúvida sobre que cor escolher? Não precisa quebrar muito a cabeça, opte entre o preto e o prata, pois a Ford só importa estas duas cores.

Já o não menos “chamativo” Honda Civic é outro modelo que surpreende. Atributos para isso? Vamos começar pelo inédito (em carros de fabricação nacional, é claro) câmbio automático de cinco velocidades com borboletas atrás do volante que permite trocas manuais de marcha e uma tocada mais esportiva do modelo. O belo painel em dois níveis e com uma bela iluminação noturna (comum a todos modelos do Civic, desde a versão mais simples), também é destaque, assim como o espetacular motor 1.8 16v i-VTEC de 140cv que além de render muito bem, garante um excelente consumo de combustível ao Civic. A versão EXS é a top de linha, e já sai com tudo de fábrica (menos teto solar) e é vendida exclusivamente com câmbio automático. Para quem preferir “brincar” no Civic com câmbio manual pode optar pela versão LXS, que permite uma tocada mais esportiva ainda. Por ter seu câmbio em uma posição elevada e respostas rápidas do volante, ele passa a impressão de esportividade na condução do carro. Os destaques neste Civic já na sua 8ª geração continuam com o assoalho traseiro plano, o novo formato da alavanca do freio de mão, agora em “Z” e o seu desenho, totalmente novo que em nada lembra as demais gerações do carro. O pecado da versão? O porta malas, menor em relação aos concorrentes e menor ainda em relação ao Civic antigo. O carro tem rodas de 16 polegadas, e dentro do porta malas tem um enchimento que compensa a diferença de altura entre o pneus e o assoalho do porta malas, e justamente este enchimento aliado ao novo desenho, mais curto da traseira da carroceria é que acabou por prejudicar a capacidade do porta malas do carro. Solução: Adotar o estepe do Civic americano, um pneu extra fino que cabe no compartimento do estepe sem que seja necessário nenhum enchimento no porta malas. No mais, o carro bate de igual para igual ao Fusion em vendas, já desbancando inclusive o Vectra, até então, o mais vendido do segmento.

E por falar em Vectra, este dispensa comentários. Produzido em duas versões, Elegance e Elite, foi testado pelo blog em outubro do ano passado em uma subida até Santa Maria do Herval (pé da serra gaúcha, perto de Nova Petrópolis) mostrou um comportamento acima da média para um seda. Excelente ergonomia interna, ótima estabilidade direcional e bom nível de equipamentos na versão testada (Elite, completa, inclusive rodas aro 17, teto solar, CD com MP3 e 4 air bags) o Vectra enfrenta bem seus novos rivais, mesmo que, com a chegada destes e por conseqüência, novos parâmetros de comparações, o sedã da GM mostra uma leve queda no seu acabamento interno, não pelo desenho, mas sim pelo material usado e detalhes de acabamento, pouco mais superior em seus concorrentes diretos. Na avaliação de um dia com o modelo e que é atual até o momento, as duas únicas ressalvas ficaram por conta, primeiro, pelo consumo, muito elevado, por se tratar de um motor “antigo” aliado a um câmbio automático de 4 marchas (sim, acreditem, o que tem de moderno e belo o projeto do novo Vectra, tem de antigo a base do motor... herdado do velho e bom Monza...) e que poderia ser projetado um propulsor tão atual e moderno quanto o próprio carro, com bloco de alumínio e comando de válvulas variável, o que com certeza resultaria em um motor, além de mais moderno e atual, econômico se aliado com um câmbio de 5 velocidades com melhor aproveitamento de torque. Este, que também poderia ter trocas manuais junto do automático. E a segunda ressalva foi pelo tanque de combustível, de apenas 52 litros, que não favorece a autonomia do Vectra. Tirando estes pequenos problemas, é um dos melhores projetos que a engenharia da GM brasileira já fez, e que, diga-se de passagem, tem feito muito bem o seu trabalho nos últimos tempos, prova disso está no Vectra e no Celta, lançado em meados de 2006 (já que o modelo que foi lançado em 2000 não valeu... demorou, mas ainda bem que a GM finalmente resolveu lançar o Celta.).

O Mégane, relançado em março, passou de um simples carro totalmente inexpressivo no mercado a um dos mais belos exemplares em produção no país, e como prova do êxito do carro, a Renault já prepara o lançamento da perua Mégane para o final do ano. O carro já está pronto e homologado, só falta estabelecer o nome e mais alguns detalhes para seu lançamento. Conta com dois modelos, a Expression, com motor 1.6 16v  e a Dynamique, equipada com duas motorizações, a 1.6 16v e a 2.0 16v, este dotado de câmbio automático chamado Proactive, de quatro velocidades que reage rapidamente em situações extremas em que um câmbio automático costuma deixar os mais inexperientes na mão. Conta também com a opção manual no câmbio automático. A novidade na versão com câmbio manual é a caixa de seis velocidades. As inovações do modelo ficam por conta do novo formato do freio de mão, em forma de manete de avião e do cartão-chave, que quando introduzido no painel do Mégane, basta apertar um botão para que o motor seja acionado, dispensando assim, a velha e tradicional chave de ignição e seu miolo na coluna de direção. Bem equipado, mas não dispõe de teto solar e nem bancos em couro. Únicos fatores que não o colocam em pé de igualdade com seus rivais. Os preços do Mégane partem de R$ 54.990 (Expression 1.6) até R$ 69.900 (Dynamique 2.0 automático). Sempre equipados com ABS e air bag duplo.

Já o mais “experiente” do grupo, mas nem por isso menos qualificado, o Corolla ainda tem seu público cativo, atraído pelo bom espaço interno, excelente ergonomia e pelo ótimo motor 1.8 16v VVT-i de 136 cv. Atributos para continuar vendendo, é a versão intermediária do modelo, a XEi, que conta com câmbio manual e automático, e já oferece também freios ABS de série, o que torna o conjunto do carro muito bom pelo seu preço e o que é oferecido. Seu design frente aos seus concorrentes já um pouco desatualizado, mas continua com linhas harmoniosas e que dão um ar de sobriedade ao modelo, ideal para pessoas que querem um carro eficiente em cidade e estrada mas sem chamar muita atenção por onde passa. Oferecido em três versões, a XLi de entrada (também com opção do câmbio automático), com motor 1.6 16v VVT-i, a XEi, intermediária e a SE-G, top de linha, que se diferencia das demais pelos bancos em couro, painel de instrumentos com iluminação Optitron, faróis de neblina e do câmbio automático. Seus preços partem de R$ 52.623,00 (Xli manual) até R$ 78.060,00 (SE-g) e tem o plus da garantia de 3 anos.

Claro que o mercado dispõe de mais versões e modelos, como os não citados aqui Marea, Bora, o novo Jetta, que chega ao mercado em setembro e outros modelos que vendo no nosso dia a dia pode vir a nos despertar algum interesse nesta “ressurgida das cinzas” classe dos sedas e que tanto cativa o gosto do brasileiro por carros, seja pela praticidade de um bom porta malas para a estrada quanto o mesmo para as compras do cotidiano.

 

 

 

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