O que nós lemos...

 

Infelizmente, os cadernos sobre automóveis que são escritos em Porto Alegre estão sofrendo de um mal horrível: Erros graves de informações.  Leio o caderno de dois jornais, já que o resto nem me presto tamanha a inexpressão de seus editores, e justamente nestes é que tenho lido cada asneira nestes últimos meses que, pra quem conhece sobre o assunto, chega a dar um frio na espinha ao saber que aquilo será lido por leigos e pior, absorvido por eles. Não que fará alguma diferença na vida deles, mas quem conhece e lê aquilo, chega a ser um insulto saber que os jornais não têm um controle eficiente sobre o que seus jornalistas automotivos escrevem sobre carros ou sobre a história destes.

Acompanho sempre os cadernos de automobilismo dos principais jornais aqui de Porto Alegre, e justamente neles é que vejo esses pequenos horrores escritos, erros que passam batidos, como os mais recentes que vi, onde o jornalista “especializado” diz que a Autolatina acabou em 1988, junto com o fim da produção do (Ford) Versailles, ou que o Ka, na motorização 1.6 é "flex" e tem 105 cv de potência. Eu sempre defendi que uma pessoa, para escrever bem sobre determinado tema, ela tem que ter em mente 2 pontos principais: primeiro, conhecer sobre o que ela está escrevendo, e de preferência, conhecer bem para não falar besteira, e segundo, caso escreva sobre a história de determinado modelo, então que pesquise muito bem, caso não conheça tal trajetória para não escrever coisas bizarras sobre o modelo.

O grande mal do jornalismo automotivo aqui em Porto Alegre, e que defendi tal ponto de vista em um fórum sobre jornalismo automotivo na Internet, é que qualquer pessoa que tenha uma boa redação, tenha um bom texto, acha que está apto a escrever um texto sobre carros. Não basta ler um release enviado pelas fábricas para escrever algo bom sobre carros. Tem que conhecer carro, viver carro e conhecer a história do modelo que se pretende a escrever. Sinceramente, não é o que eu vejo hoje aqui em Porto Alegre, e sim, um grupo que se acha "seleto" escrevendo verdadeiras asneiras sobre carros, e aí também questiono onde estão as fábricas e suas assessorias de imprensa, que no mínimo, deveriam ler estas reportagem e ver os erros que este pessoal comete, para que, quem sabe, melhore um pouco a qualidade do pessoal que escreve sobre este assunto por aqui, e que curiosos ou jornalistas que tenham bons textos, não achem que só este adjetivo os qualifique a se tornarem bons jornalistas automotivos.

Outro fato que me causa perplexidade são as recentes matérias que tenho visto sobre a compra de carros usados. Além de estar na faculdade de Jornalismo para me especializar e tentar entrar neste patético "circulo fechado" (sim, patético por que é essa a impressão que me passa já que em todas a vezes que tentei entrar neste meio sempre esbarrei em inúmeros problemas, então a conclusão que cheguei é que para ser jornalista automotivo aqui em Porto Alegre, o que menos importa é conhecer sobre carros, isso é um detalhe sem importância.) trabalho com carros ha uns bons 15 anos da minha vida, prestando assessoria a pessoas que querem comprar seus carros, sendo ele novo ou usado, então, cada vez que vejo matérias sobre como comprar carros seminovos, chega a me dar um frio na espinha ao ver o que está escrito nos jornais. Já falei uma vez aqui e vou falar de novo, um vendedor de loja autorizada não é especialista nem na marca que ele vende (claro que aqui não vou generalizar, mas em uns 85% dos casos, a realidade é essa... lei da selva aqui também existe), quanto mais, amigo de quem vai comprar o carro, ele está lá somente como um elo entre você e a fábrica para poder fechar o negócio. Claro que com um "picareta" não é diferente, basta olhar pela sua janela e ver as "bombas" que circulam pelas ruas com seus felizes proprietários enganados. Então quando vejo "gerente de vendas", "executivo de vendas" ou qualquer colocação do gênero falando como você deve proceder pra não ser enganado na hora de comprar um carro, tenha sempre em mente que estes também não passam de simples vendedores querendo "vender seu peixe", e sempre no fim de cada matéria, diz "para executar um negócio seguro, compre carros somente em revendas autorizadas", como se isso fosse uma enorme garantia, e mesmo com programas de qualificação de usados, já vi cada bomba a venda que contando aqui sem imagens é difícil imaginar. Tenho meus meios para saber se um carro é bom um ruim, e aliado a um salvador cadastro nacional de veículos que tem na internet, podemos saber com certeza o histórico de um carro desde o dia que ele saiu da revenda, e isto sim, junto a um bom olho clínico, é uma ferramenta eficaz na hora da compra, mas é uma pena que ele é pouco divulgado, por que iria desmascarar na hora mais da metade dos lojistas da capital. No mercado paralelo também existem pessoas mal intencionadas, e disto ninguém está livre, falo por experiência própria, já que comprei o carro da minha namorada em um conhecido (e também por ver que o carro estava ótimo depois de uma severa análise) e mesmo assim, o carro apresentar alguns problemas (nada sério ou perceptível a um usuário "comum", mas pra quem conhece alguma coisa sobre carros, já era algo bem desagradável). Pra finalizar o parágrafo, o jornalista especializado que conhece sobre o assunto, ele mesmo tem artifícios próprios para escrever uma matéria, e ao buscar embasamento de outro especialista, este seria somente para acrescentar um plus em seu texto, e não fazê-lo com base no que a pessoa consultada está dizendo.

Mas como diz aquele ditado assaz pitoresco "Deus dá osso pra quem não tem dente", sigo escrevendo minhas colunas por aqui e no meu estágio, que está me dando uma visibilidade ótima em um assunto completamente diferente do que eu realmente gostaria de estar escrevendo. Mas como no jornalismo nós não escolhemos a área por onde começar, já está de bom tamanho poder assinar minhas matérias e ver o reconhecimento por este trabalho.

Abraço e até o próximo teste, que eu estou a horas prometendo e não rola pela mais pura falta de tempo, mas sai... Em breve, mas sai!

 

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BRASIL, Sul, PORTO ALEGRE, Homem, de 26 a 35 anos